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ÁRVORES coraçoes, não Chorem!
Eu Tambem anda a gritar, morta de sede!

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Árvores do Alentejo
Ao Prof Guido Battelli
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas, Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram, Almas iguais à minha, almas que imploram Em vão remédio para tanta mágoa! Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede, Pedindo a Deus a minha gota de água!

Florbela Espanca,
in "Charneca em Flor"

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A realidade
Que renda fez a tarde no jardim,
Que há cedros que parecem de enxoval? Como é difícil ver o natural
Quando a hora não quer!
Ah! não digas que não ao que os teus olhos Colham nos dias de irrealidade.
Tudo então é verdade,
Toda a rama parece
Um tecido que tece
A eternidade.
Miguel Torga

o artista iltaliano ANDRECO foca a sua pesquisa na relação entre o ser humano e a natureza, entre o ambiente construído e a paisagem natural, que se traduz na criação de simbologias que se apresentam através de diversos media.

Por Gaia teve a seu cargo a grande performance colectiva que abriu a 1º edição do GTM - Gaia todo um mundo.

Palavras do próprio artista: "Os crescentes fluxos de calor, terras secas, desertificação e incêndios selvagens são as consequências mais evidentes da mudança climática em Portugal. Referi isto mesmo durante a minha conversa sobre o Ativismo Artístico e as Mudanças Climáticas para o GTM Forum sábado a 17 de março de 2017, um dia antes dos incêndios em Portugal. A gestão da floresta, áreas úmidas, permacultura, infra-estruturas verdes são aspectos necessários para um cenário resiliente, capaz de contrastar com a actual crise climática."

EN | The Italian artist ANDRECO focuses his research on the relationship between the human being and nature, between the built environment and the natural landscape, which translates into the creation of symbologies that appear through different media.

At Gaia he was in charge of the great collective performance that opened the first edition of GTM - Gaia todo um mundo.

Words by the artist: "The improve of Heat Flows, Dry Lands, Desertification and Wild Fires are the most evident consequences of climate Change in Portugal. I said this during my talk on Art Activism and Climate Change for the GTM Forum Saturday 17th 2017 a day before the fires in Portugal. Woodland management, humid areas, permaculture, green infrastructures are needed for a resilient scenario able to contrast the climate crisis. Action now."

sinopse PT /// A mudança de século presenteou-nos com um leque de paradigmas sobre os quais, enquanto sociedade, nos devemos debruçar de forma urgente. Uma dessas realidades prende-se com o ambiente e as alterações climáticas globais.

O sistema de produção e consumo, assente na contínua exploração de recursos finitos irá, irremediavelmente, conduzir-nos a uma ruptura civilizacional, caso não se reflicta e trabalhe em conjunto para a alteração desse processo.

É com base nesta premissa, que se revela cada vez mais fundamental o papel da Arte enquanto catalisador de ideias e ferramenta de pensamento crítico e acção.

A intervenção artística no espaço público adquire relevância e protagonismo, não somente pelo seu carácter aberto e impactante, mas essencialmente, pela proximidade e diálogo que estabelece com o público e as comunidades, elementos chave para a construção de um futuro sustentável, comum e possível.

O caminho que devemos percorrer é transversal a uma postura política, conceptualmente consciente e desafiadora da problemática em causa e é essa mesma, a característica ímpar deste projecto: um trajecto demarcado pela postura, pelas temáticas, pelos processos conceptuais e/ou linguísticos, pelas materialidades e tudo o de único que compõe a obra destes artistas, que não só fazem esta caminhada connosco, como nos ajudam a talhar esta viagem.

Esta ROTA SUSTENTADA é uma via única, um confronto singular, tanto pelas formas físicas que adquire com base na criação e no pensamento, como pelas questões aparentemente intangíveis com que nos desafia, encaminhando-nos para uma chamada de atenção e para a urgência da reflexão com base num denominador comum: o ambiente.

CURADORIA /// CURATORSHIP _ Miguel Januário + Lara Seixo Rodrigues
PRODUÇÃO /// PRODUCTION _ Mistaker Maker + GTM
PROMOTOR /// PROMOTER _ Câmara Municipal de Vila Nova da Gaia